segunda-feira, 9 de maio de 2016

Olavo Bilac. Delírio



Nua, mas para o amor não cabe pejo
Na minha a sua boca eu comprimia
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais a baixo, meu bem, quero teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda em grito:
- Mais abaixo, meu bem! - Num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem - Disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...





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